São Paulo, uma Reflexão Geral do Problema

Manifestação SP -José Patricio Estadão Conteudo

Mais uma manifestação legítima termina em confronto com a PM e quebra-quebra em SP. 

O protesto Fora Alckmin já começou estranho, quando o evento no Facebook que convocava as pessoas a comparecer foi apagado. A quem interessa este tipo de censura? É estranho quando pensamos que boa parte dos veículos de imprensa estão calados em relação aos escândalos de corrupção envolvendo o atual governo.

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Mais uma vez houve ataques a agências bancárias e concessionárias de carros. Ao que a PM respondeu com balas de borracha, gás lacrimogênio e bombas, indiscriminadamente. Houve também relatos nas mídias sociais de abusos comuns por parte dos policiais ao deterem pessoas sem justificativa e ameaças a quem registrava as prisões com frases típicas como “se filmar vai levar tapa na cara”.

Honestamente, não concordo com a quebradeira, mas concordo menos ainda com a postura autoritária da polícia, agindo acima da lei como na época da ditadura, que não por coincidência, era militar. Veja bem, não sou contra a polícia, sou contra os excessos. Acredito que um cidadão pode errar movido pela emoção, mas a polícia não. O Estado tem que dar o exemplo.

Vi gente dizer que o protesto foi convocado por um grupo anarquista que prega a depredação, portanto quem estivesse lá que aguentasse a truculência policial. Errado. Independente de quem teve a ideia do protesto, foi um evento público e todo tipo de pessoa podia estar ali, portanto cabe a polícia saber distinguir quem praticou algum delito e quem está apenas exercendo seu direito legítimo de se manifestar.

Até porque, sem justificar, mas ponderando, o que é uma vidraça de uma agência de uma entidade cujos lucros são maiores que de nações inteiras? Agora, um olho para um jornalista, não tem preço. Como evitar que o cidadão que se sente explorado de toda forma, que vive em condições precárias, se sinta indignado e se deixe levar pelo calor dos acontecimentos diante destes fatos?

Lucro do banco Itaú no 1º semestre é maior que a economia de 33 países
http://www.meionorte.com/noticias/economia/lucro-do-banco-itau-no-1-semestre-e-maior-que-a-economia-de-33-paises-215067.html

“O Santander, por sua vez, registrou no primeiro semestre lucro de R$ 2,929 bilhões (cerca de US$ 1,29 bilhão) apenas no Brasil. Esse resultado é maior do que o PIB de 21 países, também segundo informações do Banco Mundial…

Bancos brasileiros estão entre os que mais ganham com juros no mundo

Os três maiores bancos do país (Itaú, Banco do Brasil e Bradesco) ganharam, juntos, US$ 72 bilhões com juros em 2012.”

Como culpar alguém por se revoltar com isso? Não seria essa uma violência muito maior que quebrar vidraças de instituições bilionárias? Não é isto um vandalismo muito maior com a população?

ISTO-É

 

E como justificar fatos como este?


Eu estive na manifestação do dia 13 de junho, uma quinta-feira, que começou na Praça da República e subiu em direção a Avenida Paulista, quando foi barrada pela PM na Rua da Consolação. Éramos cerca de 5 mil pessoas e o que vi e relatei, depois seria confirmado de forma inequívoca por todos os tipos de mídia, acabando por gerar toda a comoção que culminou na grande manifestação do dia 17, histórica, quando mais de 200 mil estiveram nas ruas de SP e milhares de outros por todo o país, além dos dias seguintes.

Foi a ação da PM que gerou o estopim da violência neste dia, coisa que não ocorreu nas manifestações seguintes. Afinal, se você joga bomba no barril de pólvora, vai gerar uma explosão. As pessoas vão para a rua protestar porque já estão inconformadas, estão cansadas, indignadas, tratá-las com repressão só vai gerar mais revolta e assim surgem os distúrbios. E uma vez fora de controle, o caos se espalha. É compreensível que alguém em um momento de tensão atire uma pedra, seja contra uma vidraça, seja contra aqueles que o atacam. Embora, eu jamais tenha feito isso.

Agora, se uma pessoa comete um erro, é papel da polícia identificá-la e tomar as devidas providências dentro da legalidade, o que não pode são os policiais tirarem as identificações de suas fardas e partirem para o vale tudo contra os cidadãos. Eles são treinados para saber reagir adequadamente, mesmo quando provocados, e servir a população. Ou ao menos, deveriam.

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No caso das ocorrências de hoje, os repórteres e câmeras de TV estavam em cima do lance, no exato momento em que 2 ou 3 começaram a quebrar a agência bancária, enquanto outros gritavam para que não fizessem aquilo. E onde estava a polícia nesta hora? Lá na frente, fazendo uma barreira, para depois atirar contra todos, como se todos concordassem com a quebradeira.

Se os repórteres estavam ali, a ponto de identificar de perto os agressores, não poderiam estar os policiais próximos também e terem evitado o problema detendo as pessoas certas? Será que a presença deles ali, no entorno dos manifestantes, acompanhando de perto, já não seria o suficiente para intimidar as depredações? Em outras manifestações vi policiais andando junto com as pessoas sem haver quaisquer agressões de ambos os lados. Porém, quando eles param lá na frente e se preparam para a guerra, é isso o que acontece, confronto, guerra.

Enfim, repito, não acho que quebrar instituições públicas ou privadas seja o caminho, mas não é cerceando o direito de manifestação e informação, agindo de forma arbitrária, que a polícia vai conseguir respeito e manter a ordem. A tendência é só provocar uma reação contrária maior. A história já provou isso.

O Gigante adormecido

Dia 14 tem nova manifestação convocada pelo MPL (Movimento Passe Livre), o mesmo grupo que conseguiu sublevar o país com a questão da redução das tarifas e que acabou fomentando outros grandes protestos, como da PEC 37, por exemplo. Essa deve ser grande. É provável que antes ainda ocorram outros eventos menores, ou seja, se a polícia não agir com inteligência, o “gigante” vai acordar outra vez.

E antes que digam que é uma questão partidária, é bastante coerente por parte do MPL tomar posição novamente, afinal a divulgação deste grande esquema de corrupção envolvendo o governo paulista e a empresa alemã Siemens, além de outras do gênero, envolve diretamente os transportes, ou seja, tem tudo a ver com a questão das tarifas.

“Nossa posição é que é um absurdo que o dinheiro público esteja sendo desviado do transporte. São mais de R$ 400 milhões desviados, isso daria para reduzir a tarifa a R$ 0,90”, afirma Matheus Preis, militante do MPL-SP.
http://revistaforum.com.br/blog/2013/07/mpl-sobre-propinoduto-tucano-no-metro-vamos-as-ruas-no-dia-14-de-agosto/

Ou seja, de fato não era só pelos 20 centavos!

Rodrigo Branco
Radialista, DJ e cronista da vida real

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