Nada que uma piadinha não resolva

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E não é que o Jô voltou atrás? Mas o fez de maneira tímida, quase como uma piada, sem dar a mesma ênfase com a qual abordava o tema anteriormente.

Após semanas martelando na ideia de que a palavra presidentA não existe e que falar assim é coisa de gente “ignorantA”, como fazia questão de frisar, inclusive lendo um texto notoriamente fake para sustentar o seu equívoco, o entrevistador admitiu que a palavra de fato existe na língua portuguesa. Porém, como seria justo, não se desculpou em momento nenhum, tanto por insistir em um equívoco, quanto por chamar boa parte de sua audiência de ignorantes, ou a professora citada nominalmente por ele como sendo autora do texto falso. Para entender melhor, leia aqui:

OS DONOS DA RAZÃO (OU A SAGA DE UM PRECONCEITO VELADO)
https://hoplitaurbano.wordpress.com/2013/07/25/os-donos-da-razao-ou-a-saga-de-um-preconceito-velado/

Acho que por uma questão ética, Jô Soares deveria ter citado novamente a professora e pedido desculpas. No mínimo a ela, mas seria digno também fazê-lo aos telespectadores por ter lido um texto falso como se fosse real.

Curiosamente, o vídeo em que lê o texto falso continua disponível no site do Programa do Jô, já a admissão do erro não. Ele o fez antes de começar a conversa com as “meninas do Jô”, na última quarta-feira, mas o vídeo deste programa foi colocado no site editado, justamente sem a parte em que comenta o erro, em tom jocoso.

Na ocasião, Jô fez um breve comentário dizendo que estava havendo uma polêmica em torno da questão (neste momento Lilian Witte Fibe que havia rido com deboche na outra semana, soltou um inconformado “não acredito!”) e que “inclusive o Professor Pasquale ligou aqui para o programa para dizer que a palavra presidentA existe sim em nossa língua”. Nessa hora, claro, as meninas se calaram. Dito isto, o apresentador fez uma piadinha qualquer em cima do assunto e disse, “pronto, assunto encerrado”.

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Simples, né Jô? Doeu? Mas teria sido mais justo explanar melhor sobre o tema, quem sabe levar um especialista da língua, de repente o próprio Pasquale, ou Prof. Sérgio Nogueira, que já escreveu a respeito para o G1 (site da Globo) e deixá-lo esclarecer decentemente a questão.

Enfim, uma pequena vitória se ele parar de perseguir esta história e tiver aprendido alguma coisa com o episódio, pois não basta ter cultura, ser “bem informado” e estar no canal de TV mais poderoso do país, é preciso estar atualizado, checar fontes e jamais, jamais se considerar o dono da razão.

Rodrigo Branco
Radialista, DJ e chato de plantão

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