Lemmy: A crônica de uma morte não ocorrida. Um relato sincero.

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Uma notícia ruim, choque, tristeza e muita confusão. Foi o que aconteceu na madrugada do último domingo. Estava no Manifesto Bar, como todos os “sábados”, quando, por volta das 2h30, meu parceiro de discotecagem, Edu Rox, me diz: “Mano, estão dizendo que o Lemmy morreu”… Na hora, espantado, minha pergunta foi: “Quem falou?”. Pois isso era o mais importante a saber no momento. O Silvano, dono do Manifesto, local onde Lemmy e os membros da banda estiveram algumas vezes, havia recebido uma ligação de uma pessoa ligada ao staff da banda, dando a notícia.

Fiquei chocado. Não podia ser verdade. Não. Na hora joguei no Google, nada. Entrei no Facebook e já tinha uma postagem da amiga Pati Patah, fotógrafa com larga experiência com artistas estrangeiros, me perguntando se era verdade, pois havia recebido a mesma notícia. Opa, pessoas em locais diferentes receberam a mesma notícia da mesma fonte, mas não por uma postagem na internet, através de ligações, mensagens pessoais. O medo aumentou.

Mas não pode ser verdade, eu falava para o Edu. Não porque duvidava, mas porque não queria acreditar que o Lemmy tava morto, de uma hora pra outra, embora soubesse que ele havia passado mal em pleno palco, um dia antes. Continuei buscando freneticamente nos principais sites de notícias de música do mundo, além do Facebook. Nada.

Então resolvi postar algo para ver se colhia alguma informação. Escrevi em meu perfil pessoal: “Pqp, algum tempo atrás eu disse que o Rock estaria morto no dia em que Lemmy morresse… esse dia pode ter chegado hj. Não quero acreditar que seja verdade…”
Esta foi a primeira mensagem, estava em dúvida, era por volta de 2h45. Logo alguns colegas responderam, um deles que trabalha em uma grande produtora de shows e costuma ter notícias em primeira mão, disse: “Parece que é pra valer :(”.

Esperamos. Continuei procurando sem parar na internet, enquanto Edu desceu pra ver se o Silvano tinha novidades, pois ele estava tentando checar também. A essa altura, já passava das 3h, as mensagens circulavam inbox, ninguém tinha certeza de nada, mas começávamos a perder as esperanças, pois a informação tinha partido da produtora que costuma trazer a banda ao Brasil.

Foi então que, por volta das 3h30, um amigo da Top Link Music postou a notícia, afirmando que Lemmy de fato estava morto. Eu, sabendo que a Top Link é uma grande produtora, responsável pelas últimas vindas do Motörhead ao Brasil, além de muitas outras bandas, não tive mais dúvidas, a triste notícia só podia ser verídica. Então repassei, em lágrimas. Não tenho vergonha nenhuma em dizer isso, foi como se perdesse um amigo de longa data, alguém com quem convivo a maior parte de minha vida, quase 25 anos de amor pela banda e a figura que a personifica. Quem me conhece sabe o quanto sou fã do Lemmy.

A essa altura, meu emocional já tinha ido por água abaixo, tava arrasado, terminei minha discotecagem profissionalmente, mas não conseguia mais pensar em nada. Postei outras mensagens comentando, mais indignado com o fato, chateado, triste, que qualquer outra coisa. Porque essa era uma notícia da qual eu não teria qualquer prazer em ser o primeiro a dar. Escrevi: “O Motor parou de rodar. Uma das noticias mais tristes q ja recebi… 😦 descanse em paz, mestre!”. Outra pessoa da Top Link havia postado também um comentário afirmando a mesma coisa, Lemmy estava morto! Comentei novamente, em um post: “Eu tinha a impressão que jamais leria essa frase… Lemmy morreu! O_o”.

Pouco depois das 4h, compartilhei o álbum de fotos do dia em que pude ver o Lemmy de perto, agradecendo a ele por tudo. Uma homenagem de fã. Eu estava inconformado.

Cheguei em casa por volta das 4h30, e a polêmica já rolava solta, com muita gente questionando a veracidade da informação, afinal não havia sido publicada em nenhum site estrangeiro, já fazia 2 horas que ela havia se espalhado por aqui. Mas pra mim não havia mais dúvida, já estava resignado, já tinha chorado, bebido em homenagem, tocado uma sequência interia de músicas dele no Manifesto, postado as fotos, enfim, era o fim. Certeza que apenas se consolidou ainda mais quando a notícia foi postada no site da Top Link, e mais, assinada em nome do próprio Paulo Baron, o dono da produtora.

Baron, é figura conhecida neste meio, mexicano de nascimento, mas vivendo no Brasil há muito tempo, tem mais de 25 anos de experiência trabalhando com grandes nomes da música pesada. Além de ter feito as 3 últimas turnês do Motörhead pela América Latina, é amigo dos membros da banda, já trouxe ao país dezenas de grandes nomes do Rock, promovendo milhares de shows, em diversos países, e o festival Live ‘n’ Louder.

Muitos falaram em confirmação da notícia, que foi um erro acreditar e repassar sem “checar a fonte”. Mas eu achei na hora, e continuo achando, que a fonte era mais que confiável, não tinha porque duvidar. Agora sabemos que foi um grande erro, mas até então, para qualquer um que conhece a história da Top Link, do Paulo Baron, parecia impossível que isto acontecesse. Afinal, sabíamos também que existem dois brasileiros na equipe que viaja com a banda e que estes tem contato direto com os membros da produtora. Ou seja, era bem possível, plausível até, que eles tivessem passado a notícia em primeira mão para a Top Link e que eles tivessem anunciado antes mesmo dos sites estrangeiros. Tanto que não fui o único a dar crédito, muitos amigos sérios neste meio acreditaram igualmente.

Enfim, foi uma sucessão de erros lamentáveis. Pela manhã, a produtora postou uma nova noticia desmentindo a anterior, assumindo o erro e pedindo desculpas. De minha parte, o erro que cometi foi de acreditar em uma fonte confiável, que afirmou um fato, não era um boato, não era uma dúvida, naquele momento era um fato sendo noticiado pelo maior empresário do gênero no país. Tudo o que fiz foi repassar essa notícia e lamentar a morte de um ídolo em minha página pessoal do Facebook. Sou radialista, tenho 15 anos de experiência, 4 rádios Rock no currículo, sou DJ e, como digo, curioso. Não tenho formação como jornalista, nunca pretendi ser um, embora, na prática já tenha feito essa função muitas vezes ao longo dos anos. Sou um comunicador, de fato, dizem que sou formador de opinião, mas não sou dono da verdade, nem pretendo ser. Repito, acreditei em uma fonte acima de qualquer suspeita e essa fonte errou. Havia repassado a notícia falsa, apaguei, evidentemente. Não havia porque mantê-la em meu perfil, pois só continuaria causando confusão. Eles postaram um desmentido, eu repassei também. Em nenhum momento me omiti ou neguei qualquer coisa. Minha posição foi transparente e essa é a verdade sobre o que aconteceu, sob a minha ótica. Fim.

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