A despedida de uma lenda do rock nacional

Ao centro, de cabelos claros, entre os irmãos Vecchione e Rollando Castello Jr

Ao centro, de cabelos claros, entre os irmãos Vecchione e Rollando Castello Jr

Esse texto é só uma pequena homenagem a mais um ídolo do rock brasileiro que se foi quase que completamente esquecido do público, não fossem os poucos saudosistas que mantém viva a dignidade dos nossos heróis.

Fosse em um país que valoriza a cultura, que preserva sua memória, as coisas seriam diferentes. Mas onde até hoje os veículos de mídia em geral insistem em dizer que o rock nacional surgiu em Brasília nos 80, não dá pra esperar muito.

Fato é que, Cornélius Lúcifer, foi um pioneiro no rock genuinamente brasileiro, já que antes pouco havia sido feito por aqui além de versões em português para sucessos estrangeiros. Exceto, Os Mutantes, é claro.

Cornélio de Aguiar Neto, recebeu o apelido, Lúcifer, devido ao seu modo de cantar agressivo, áspero, rasgado. Foi o vocalista original de uma das principais bandas de nossa história, o Made in Brazil, a convite dos irmãos Oswaldo e Celso Vecchione.

Ao vivo, Cornélius foi pioneiro no estilo Glam/Hard

Ao vivo, Cornélius foi pioneiro no estilo Glam/Hard

Formado em 1967, no bairro da Pompéia, tradicional reduto roqueiro de São Paulo, o grupo que está na ativa ainda hoje, lançou seu primeiro disco apenas em 1974, auto-intitulado. Cornélius brilhou nos vocais, fazendo um tipo de som até então inédito no país. Músicas como Anjo da Guarda, A Mina, Entupiu o Trânsito, Tudo Bem-Tudo Bom e a impagável versão de Aquarela do Brasil, se tornaram hinos do nosso rock setentista.

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O clássico disco de estréia, de 1974. O baterista, Rollando Jr, depois formaria o Patrulha do Espaço, com Arnaldo Batista, ex-Mutantes

O vocalista deixou o grupo no ano seguinte, 75, lançando um ano depois seu primeiro trabalho solo, Cornelius – Santa Fé. Na década de 80 voltou a cantar no Made por um período, mas se manteve em carreira solo, a qual chegou a ter um sucesso na época da discoteca no final dos anos 70.

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Cornélius, faleceu aos 65 anos, vítima de problemas respiratórios, no dia 18 de julho. A informação só foi divulgada nesta quarta-feira, 07, através de nota oficial publicada pelo Made in Brazil. Os membros do grupo lamentaram a perda do antigo companheiro, com quem iriam se reunir em breve para comemorar os 40 anos do disco histórico.

Ao vivo, em 1987, no retorno a banda, cantando o clássico Anjo da Guarda.

Rodrigo Branco
https://www.facebook.com/rodrigo.branco.3

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