Alô, Anatel? Me ajuda ai, pô!

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Ser consumidor de serviços no Brasil é difícil, você tem poucas opções, vira refém de cartéis de grandes empresas que monopolizam o mercado, paga caro por um serviço ruim e atendimento péssimo.

Dentre os piores serviços, os de telefonia sempre foram campeões, seguidos de perto pelos de internet e TV a cabo. Já dava pra imaginar então o que aconteceria quando juntaram tudo. Humberto Gessinger, que já havia vaticinado outras vezes, foi mais uma vez profético quando sacou tudo no início, 10 anos atrás. Disse ele em uma canção dos Engenheiros do Hawaii:

“Ninguém sabe como serão os filhos desse casamento, indústria da informação, indústria do entretenimento, promessas de fusão a frio, diversão e conhecimento, a única escolha que temos, é a forma de pagamento”.

E não é que o gaúcho tava certo outra vez, tchê? Afinal, o produto oferecido é semelhante, os valores idem, o serviço prestado é ruim da mesma maneira e se você for reclamar, o descaso é idêntico.

Já tive muitos problemas com estas prestadoras de serviço, mas vou falar do atual. Eu tinha o Speedy, da Telefônica, mas esta foi comprada pela Vivo e me forçaram a migrar para o Vivo Fibra. O Speedy não dava problema, era 1 mega, via cabo, mas funcionava. A Vivo insistiu que o Fibra era muito mais estável e me forçaram a aceitar sob a alegação de que parariam de fornecer o serviço via cabo. Aceitei a transição e minhas dores de cabeça começaram.

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Isso porque, apesar de minha internet supostamente ter subido para 10 megas, passou a dar problemas constantes de interrupção total do serviço. Ai já viu, começa a via crucis apenas para conseguir solicitar um reparo. Até solucionar o problema, certifique-se antes de que você tem muito tempo e paciência disponíveis.

A má vontade já começa pelo sistema de atendimento. Eles tem muitos funcionários disponíveis, mas antes fazem você passar pela tortura de ouvir toda a gravação da central de atendimento. Como você nunca consegue de primeira, vai ter que ouvir várias vezes a mesma coisa e perder muitos minutos.

No meu caso, quando eu digo “reparo do Vivo Fibra”, já até decorei de tantas vezes que tenho falado, o sistema avisa que vão fazer um teste na linha e colocam uma musiquinha bizarra, um versão instrumental, meio andina, meio tribal, de Can’t Help Falling in Love, do Elvis. Fico pensando que isso é algum tipo de piada de mal gosto, só não consegui ainda sacar qual é. Elvis da Amazônia, com flautinha peruana só pode ser zueira com a nossa cara. Ainda mais “falando” em amor, justamente quando você quer matar os desgraçados.

Enfim, passado o pesadelo da musiquinha, que “pode levar alguns minutos”, o tal teste que obviamente não testa nada (isso já me foi falado por um técnico deles pessoalmente), um “humano” te atende. Ai segue a burocracia, ele pergunta novamente qual é o seu número, com DDD, sendo que o sistema já tinha identificado no início da ligação, confirmam seu nome, o seu celular (jamais ligam nele, só pedem pra aborrecer mesmo) e perguntam no que podem ajudar. Ué, mas eu já não disse que era “reparo do Vivo Fibra”? “Ok, senhor. Aguarde mais um momento que vou realizar mais alguns testes”. Te deixam esperando mais uma vez e as vezes você até consegue ouvi-los batendo papo, rindo da sua cara. Ai, quando o seu saco já tá explodindo, o cidadão volta ao telefone pra lhe dizer o que você já sabia desde o início. “Detectamos que existe um problema no local e será preciso enviar um técnico até sua residência. O senhor gostaria de agendar uma visita?”. “Nãaaao, vou deixar assim mesmo, sem sinal, só liguei pra ouvir a musiquinha bizarra e conversar com a educada central eletrônica da Vivo”.

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E torça para ter problema durante a semana, porque se você, como eu, der o azar de detectar o problema em um final de semana, vai esperar até a 2ª feira, provavelmente a tarde. Isso porque eles sempre marcam para o dia seguinte, mesmo que o seu problema tenha começado de manhã. Ai na hora de agendar a visita, é “por período”. Ou seja, você vai ter que ficar a disposição para receber o herói salvador enviado pela caridosa Vivo.

Eu, como moro sozinho, se não tivesse disponibilidade de horário, nunca mais teria internet. Das últimas vezes que agendei a visita, a opção dada foi “período da tarde”, ou seja, das 12h as 18h. Assim, você vai ficar a tarde inteirinha em casa, sem poder sair e sem internet. Que bom, né?

E, como normalmente eles só aparecem depois das 15h, é certeza que sua internet só vai voltar no final da tarde, se voltar, porque as vezes o conserto fica para o dia seguinte. Ou seja, cada vez que sua internet der problema, prepare-se para ficar no mínimo umas 24 horas esperando pela boa vontade da Vivo.

Ai, não satisfeito em sofrer na mão da Vivo com a internet, fiz a burrice de comprar um chip da Vivo para o meu tablet. Se eu achava o 3G da TIM um lixo, o da Vivo é a mesma porcaria, só que mais caro.

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Enfim, é a velha história, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Ou como diz a canção citada lá no início, no Brasil: “tudo acaba em samba, é sempre carnaval”.

Rodrigo Branco
https://www.facebook.com/rodrigo.branco.3

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