A volta dos Monstros do Rock

Aerosmith em São Paulo

Demorou, mas aconteceu, o Monsters of Rock está de volta. E isso por si só já é motivo de comemoração. Melhor festival de rock no Brasil, na década de 90, com 4 edições antológicas entre 94 e 98, 15 anos depois se tornou realidade outra vez.

Diferente das edições da década retrasada, o evento desta vez teve duas datas, separando grupos alternativos e mais modernos, de outros mais antigos/tradicionais. Ideia esta que me pareceu acertada, evitando os conhecidos conflitos de gerações e gostos, que podem chegar ao ponto de atingir os próprios artistas.

Estive presente no segundo dia, “o dia hard”, cujo line-up estava recheado de medalhões do estilo, como Dokken, Ratt, Whitesnake e Aerosmith. A despeito de críticas diversas, achei o evento bem organizado, com preços razoáveis, considerando que a maioria pagou meia-entrada. Mas, o principal foi que o medo de que o som estivesse ruim, como costuma acontecer no Anhembi, não se confirmou. Achei o som muito bom, inclusive alto demais próximo às caixas mais ao fundo.

Aerosmith

Uma das diferenças deste para tantos outros eventos que aconteceram no local, dos muitos em que estive presente nestes últimos 15 anos, foi a mudança de lado do palco. Isso proporcionou uma melhor distribuição de espaço, permitindo ao público se espalhar mais, chegando mais próximo do palco, sem tanto aperto, já que o local onde foi instalado desta vez é mais largo que o local onde costumava ser.

Porém, essa mudança não eliminou um dos maiores inconvenientes de shows no local, que são as grades que delimitam a entrada e forçam o público a caminhar longas distâncias sem a menor necessidade, na maior parte do tempo. Eu, por exemplo, desci do táxi em frente a entrada, no portão 19, mas tive que andar uns 800 metros até o final das grades, voltar este mesmo percurso, para depois andar tudo novamente por dentro do sambódromo, até chegar a área dos shows, o que dá cerca de 2,5km de caminhada. Não havia porque, quando cheguei havia pouca gente entrando e aquelas grades só estavam atrapalhando, como sempre. Já quem veio do metrô, por exemplo, que á opção mais indicada normalmente, teve que andar uns 5,5km, já que a distância média da estação Tietê até aquele portão é cerca de 3km, mais o caracol de grades e a caminhada pela passarela do samba, fez as pessoas participarem de uma pequena maratona. Nada inteligente.

Outra coisa que não entendi a razão, foi colocar um apresentador gringo, falando em inglês com as bandas, sem tradução ou legendas nos telões. Considerando que boa parte do público não estava entendendo nada do que era dito, se não a maioria, não fez sentido algum. Acho isso um desrespeito com o público, além dos profissionais brasileiros, uma vez que temos aqui gente gabaritada e competente para desempenhar tal função, tal como Vitão Bonesso, que há 25 anos apoia e divulga o cenário rock/metal através do programa Backstage. Vitão é experiente entrevistador, inclusive já esteve com David Coverdale e outros músicos presentes no evento. Outro exemplo, o conhecido Gastão Moreira, ex-MTV, que dispensa mais comentários.

Ratt

Quanto aos shows, falando só do que vi, foram ótimos. Ver o RATT foi bacana, embora nunca tenha sido das minhas bandas favoritas, conheço e gosto dos hits deles, que foram bem recebidos no show, como Round and Round e Back for More. A banda tem importância por sua história no cenário hard rock americano.

Já o Whitesnake, fez uma apresentação superior as das últimas vezes em que esteve por aqui, principalmente a última, quando abriu para o Judas Priest, em 2011. Impossível não se empolgar com sucessos como Love Ain’t no Stranger, Slide it In/Slow an’Easy, Fool for Your Loving, Still of the Night e principalmente com Is This Love, uma das baladas mais clichês do rock, mas que, mesmo tendo ouvido um milhão de vezes, você ainda canta junto. Valeu a pena ainda o medley com Burn/Stormbringer, maiores clássicos da era Coverdale no Deep Purple. Destaque para o lendário baterista Tommy Aldridge e o solo com as mãos. Também o guitarrista Doug Aldrich (não, não são parentes), impressionou pelo físico invejável, aos 49 anos, com um belo solo, clássico, dividido com Reb Beach, mais técnico, mas sem a mesma alma. Doug, me lembra muito o genial e saudoso Randy Rhoads, tanto no som, como no estilo visual, o que faz toda a diferença.

Whitesnake

Mas o grande destaque da noite, como já era esperado, foi mesmo o Aerosmith. A banda americana mostrou novamente porque é um dos maiores nomes da história do Rock, em popularidade e longevidade. Steven Tyler e Joe Perry, continuam em grande forma, apesar dos 65 anos do vocalista e 63 do guitarrista. Se você não acha isso grande coisa, pense em quantos anos tem os seus pais e tire uma ideia. Novamente fomos massacrados com hits e sucessos estrondosos, baladas chiclete que acostumamos ouvir a vida inteira. Os destaques, claro, os clássicos, Back in the Saddle, Toys in the Attic, Walk This Way, No More No More, Sweet Emotion, que fechou a noite de forma apoteótica com uma chuva de papéis laminados, como nos shows de antigamente. Além das ótimas, Rag Doll, Dude – Looks Like a Lady, Eat the Rich, Living on the Edge, versões de Whole Lotta Love, do Led Zeppelin e Come Together, dos Beatles. Pra mim, os pontos altos foram as minhas favoritas, What it Takes e Dream On, o primeiro grande hit da banda, de 1973 (só 40 anos), tocada em meio ao público, com Steven em um piano branco e Perry solando sobre ele (sim, o Guns copiou isso e muito mais deles), uma cena de arrepiar.

Aerosmith

Ok, você que viu tudo pela TV, em Full High Definition, e não sentiu a vibe, a emoção do momento, vai dizer que os caras desafinaram e etc, mas pela TV com tamanha qualidade de áudio e vídeo fica fácil pegar qualquer deslize. Ao vivo, como sempre digo, é outro papo… até pela característica de suas músicas, Tyler continua mandando muito bem. E olha que eu vi o primeiro show deles por aqui, em 1994.

Agora, veja isso, e quando acabar pense novamente sobre os seus pais aos 65 e, melhor, como estará você com esta idade, hehe…

Rodrigo Branco
https://www.facebook.com/rodrigo.branco.3

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