Malandro é malandro, mané é mané

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Dentre as muitas pequenas hipocrisias diárias com a qual convivemos, o conceito de honestidade é algo que boa parte dos brasileiros precisa rever, se quiser viver em um país evoluído.

Todos reclamam da corrupção, xingam os políticos, mas a prática mostra que muitos não perdem a chance de levar o seu também, quando tem oportunidade. Se quisermos um dia ser uma Finlândia, Suíça, Holanda, Noruega, é bom que cada um tenho plena consciência de que a corrupção começa nos pequenos atos.

É nas horas da necessidade, da dificuldade, que você reconhece o verdadeiro caráter do povo. A começar pelo fato de que muita gente torce contra o país, esperando que as coisas deem errado, querendo ver o “circo pegar fogo”. O que, em minha opinião, é um contrassenso. Por mais que eu seja contra o governo, não vou torcer contra meu país, é antipatriótico, é antidemocrático. Não concordo com o governo do PSDB que há 20 anos comanda São Paulo, nem por isso torço para as coisas darem errado. Eu quero mais é que acertem e tudo melhore por aqui, para todos.

Mas o pior é ver o senso de oportunismo em ação, como temos visto muito nestes dias. Bastou ter uma absurda greve de policiais, para a população partir para a barbárie, saqueando, roubando.

Não há injustiça social que justifique, muitos dos que participaram dos saques não eram exatamente miseráveis necessitados. Já na falta dos ônibus, os que se colocaram como alternativa para a população refém da greve irresponsável, não se contentaram em cobrar o valor normal da tarifa, aproveitando do desespero das pessoas, aumentaram os preços malandramente. Houve caso de micro-ônibus, do sistema oficial de transportes, não permitir que idosos viajassem gratuitamente, o que é direito garantido por lei, porque “hoje só pagando”. Isso é o cúmulo do oportunismo cafajeste, da desonestidade. Não precisa roubar milhões para ser corrupto. Certamente, um cidadão destes tendo oportunidade, vai fazer o mesmo que fazem os piores políticos. Mas tipos assim idolatram Joaquim Barbosa em postagens da TV Revolta…

Afinal, este tipo de prática não é nada incomum, tá nos estacionamentos nos dias de evento, até o shopping center que fica ao lado do estádio de futebol aplica uma tabela especial em dia de evento, com uma aumento de 1000%. Está também no quiosque da praia que tem preços diferentes para turistas, nos taxistas que só querem fazer corridas grandes, com preços fechados, justamente quando a demanda é maior. Ou aqueles que ainda dão aquela voltinha marota, desnecessária, para ganhar uns reais a mais. Ainda falando em eventos, é comum hoje a prática de comprar ingressos antecipados para revendê-los depois, 4 vezes mais caro. Mas o bandido é o cambista na porta do estádio.

E os exemplos não faltam, tem o cara que paga de correto no Facebook, mas faz pequenos roubos na empresa em que trabalha. Ele não considera isso errado, afinal ele ganha mal, o patrão merece, não vai fazer falta nenhuma. O patrão por sua vez, dá um jeito de burlar algumas leis trabalhistas, não pagar alguns direitos, impostos, afinal o governo também rouba. Ah, os impostos! Reza a lenda que os mais ricos são os que menos pagam, quer dizer, na verdade, sonegam. Inclusive os grandes veículos de mídia que mais promovem sensacionalismo em cima da caça aos marajás, mensaleiros…

Ou seja, hipocrisia é mato por aqui, já honestidade, erva era. De sul a norte, de pobre a rico, ainda prevalece a Lei de Gerson, o jeitinho, o oportunismo. Assim não adianta culpar o governo, caçar corruptos, se tem um pouquinho deles em cada um que não perde a chance de levar alguma vantagem, seja ela da forma que for.

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