Sorria, você está sendo enganado

black_bloc-Brasil

Não passa um dia sem que os veículos da grande imprensa brasileira não publiquem matérias tendenciosas ou manipuladas. Em alguns casos, apenas tiram algo do contexto, em outros inventam mesmo.

A última criação bizarra é a tal matéria do Estadão com representantes dos black blocs envolvendo o PCC. A manchete em letras garrafais na capa do jornal taxava: “Black blocs prometem caos na Copa com ajuda do PCC”.

Na matéria, declarações supostamente dadas pelos “black blocs mais experientes, que não usam facebook e não dão declarações”. E ao final um vídeo onde aparecem alguns supostos black blocks falando que pretendem causar o caos na copa, mas em nenhum momento há qualquer menção ao PCC. Isto, supostamente foi falado em segredo ao jornalista. O que até poderia ser crível, porém a suspeita cresce quando se descobre que o tal jornalista já teve seu nome envolvido em acusação de forjar informações, que acabou na justiça.

É muito fácil dizer que tem testemunhas que não querem ser identificadas, colocar revelações bombásticas na boca delas, revelações essas que causam espanto, revolta, polêmica, mas não podem ser checadas por ninguém. E para dar alguma veracidade, você coloca um video no final, com declarações reais, mas que não acrescentam nada de novo ao que todos já sabiam.

Sendo assim, porque acreditar nesta tal matéria? Me parece muito mais um factoide para vender jornais e aproveitar a polêmica em torno do tema. Afinal, porque razões iriam os tais black blocs contar segredos justamente ao tal jornalista do Estadão, um dos principais veículos que representam tudo aquilo contra quem os black blocs lutam?

Até porque, a matéria já foi desmentida através da página oficial que representa os black blocs no Facebook.

Black bloc desmente entrevista em que relaciona tática do grupo ao PCC
http://www.brasildefato.com.br/node/28734

Ainda sobre o autor da tal matéria, ele foi inocentado da acusação que o levou a justiça, após recorrer. Havia sido condenado em primeira instância. Sobre o qual pesam outras suspeitas, apontadas no texto abaixo:

(…) Em 2000, Lourival era braço direito do então diretor de redação do Estadão Pimenta Neves. Foi guindado a tal posição pelo homicida, de quem era protegido e favorito. Exerceu suas funções de editor chefe durante toda a perseguição que Pimenta empreendeu contra Sandra Gomide. Após o assassinato, com a saída de Pimenta da cúpula do jornal paulista, Lourival Sant’Anna deixou o emprego. Voltou ao Estadão tempos depois, prestando-se a “reportagens especiais”, supostamente a mando da direção do jornal.

Em manifestação pública contra a má-qualidade do jornalismo de Lourival Sant’Anna, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 2004 já classificara de “irresponsável, imprecisa e falaciosa” reportagem de Sant’Anna sobre a atuação de Organizações Não-Governamentais no Brasil.

A relação de Lourival Sant’Anna com reportagens e dossiês apócrifos já foi comparada à atuação do repórter Jayson Blair, que em maio de 2003 tornou-se notícia mundial ao ser demitido pelo New York Times. O jornal concluiu e divulgou ter ele cometido diversas fraudes ao cobrir eventos jornalísticos. Blair inventava notícias e entrevistados.

Lourival Sant’Anna também é conhecido pela autoria do livro Viagem ao mundo dos taleban, no qual descreve o panorama do conflito étnico e geopolítico no Afeganistão – sem ter passado um dia sequer naquele país. Tempos depois, enviado ao Oriente Médio para cobrir os últimos dias do regime de Saddam Hussein, Sant’Anna passou todo o período de queda do ditador iraquiano instalado confortavelmente num hotel cinco estrelas em Amã, Jordânia, a mais de 500 quilômetros do epicentro do conflito. (…)

Ex-editor do jornal O Estado de São Paulo condenado por falsificador de reportagens
http://blogdofavre.ig.com.br/2007/10/ex-editor-do-jornal-o-estado-de-sao-paulo-condenado-por-falsificador-de-reportagens/

Anúncios